quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Projeto realizado na escola classe 303 Samamabaia

       O objetivo principal do projeto foi o  aluno aprender   a valorizar o seu corpo e valorizar o corpo do outro. O projeto foi realizado com o objetivo de desenvolver as diferentes funções do corpo humano estimulando através de atividades físicas , motoras a atenção, percepção, a linguagem oral, escrita , a coordenação, a lateralidade , criatividade etc.
         O projeto foi dividido em cinco partes :
  • As partes do corpo humano
  •  os cinco sentidos;
  • diferenças entre meninos e meninas
  • alimentação
  • higiene
ESCOLA CLASSE 303 DE SAMAMBAIA

PROJETO EDUCAÇÃO DE CORPO INTEIRO.
Referências.
Situar o corpo como depositário de signos sociais, isto é, mostrar que o corpo é modelado ou ‘construído’ pela cultura do grupo ao qual está inserido, sofrendo ação do momento histórico e do espaço físico no qual se encontra.
Defender o ponto de vista de que práticas do cotidiano escolar encaradas como normais, são na verdade medidas de controle sobre o corpo do aluno que visam torná-lo submisso à ordem vigente e que dessa maneira a escola não estaria contribuindo para a formação de cidadãos crítico-participativos.
Por ser um espaço de disputa hegemônica, a escola reproduz e ratifica as diferenças sociais, reforçando muitas vezes preconceitos e estereótipos, quer sejam de gênero, etnia, estética, orientação sexual, religiosidades, e até mesmo política,

MATRICULAMOS SOMENTE A MENTE DA CRIANÇA... SEU CORPO É DEIXADO DE FORA DA ESCOLA.
As necessidades sociais da capacidade de ler e escrever, em função do desenvolvimento social, têm exigido dos corpos das crianças na escola tão somente os movimentos considerados necessários a essa aprendizagem. Desta forma, a organização curricular é estruturada de modo a privilegiar a aprendizagem intelectual sobre as demais manifestações do ser, e as atividades envolvendo o movimento corporal, se existem neste meio, parecem não ser para levar o sujeito a tomar consciência do corpo, para sentir o corpo, e sim para o corpo virar um mecanismo a serviço da intelectualidade, do aprender a ler e escrever.
Considera Foucault (1987) que em distintas épocas de nossa civilização o corpo é controlado com o objetivo de colocá-lo em conformidade com a ideologia vigente. Segundo o autor, o desenvolvimento de um domínio meticuloso das ações do corpo, submetendo suas forças, reprimindo o espaço, tempo e articulação de seus movimentos deu-se em função do poder disciplinar, encontrado nas mais diversas instituições, entre as quais, a escola.
SALA DE AULA... QUE ESPAÇO É ESSE?
A sala é o lugar para onde as crianças são enviadas para "aprenderem", para "estudarem", o que é enfatizado constantemente pela professora, e encontrado também na fala das crianças. É o lugar para "coisa séria", e quaisquer outras manifestações tendem a serem reprimidas ou proibidas.
Isto como se qualquer outra coisa além do "estudar" não fosse "coisa séria". Como se o olhar, o falar, o mover-se não fossem manifestações importantes no ser humano. Nesse espaço da sala de aula não cabe o sorrir, o brincar, o movimentar, e toda expressão da criança que não esteja diretamente ligada ao estudar e ao aprender é contida.
A disciplina e a organização são elementos fundamentais utilizados para alcançar os objetivos pedagógicos. Alguns mecanismos do controle disciplinar descritos por Foucault (1987) estão presentes na grande maioria das salas de aula, como a divisão e o controle do tempo (horários), o quadriculamento do espaço e a distribuição dos corpos (filas), e a vigilância permanente.
O tempo em que a criança permanece na escola é definido, dividido, controlado. Tem a hora exata de chegar, de sair, de estudar, de merendar, de ir ao banheiro. Independentemente do que a criança estiver fazendo ou qual fosse sua vontade, os horários devem ser cumpridos de forma rigorosa. O início da aula segue um horário, que se não observado pelas crianças pode ter como efeito sua repreensão, quando não suficiente da professora, de uma "autoridade" superior.
Um sinal sonoro é utilizado para auxiliar o controle do tempo. Ele era acionado para indicar os momentos (em ordem cronológica): das crianças formarem filas para entrarem na sala; de entrarem; do início do intervalo de recreio; do término do recreio e formação novamente das filas; de novamente entrarem na sala e reiniciarem a aula; do término da aula. Dentro da sala o espaço é dividido, quadriculado, e cada criança e a professora ocupam um espaço definido. A fila é a forma predominante de organização nesta divisão.
Segundo Foucault (1987) esse modo de organização, ordenando em fileiras, começou a definir desde o século XVIII a forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala, nos corredores, nos pátios. A organização básica das salas é quase sempre as mesmas. As carteiras onde ficavam as crianças, individualmente são dispostas em fila do modo tradicional, com a frente voltada para o quadro-negro, uma atrás da outra, salvo quando a professora propunha trabalho em grupo.
 Entretanto, deixando as exceções de lado, cada criança ocupava uma carteira, que era o "seu lugar", geralmente, o mesmo durante todo o ano letivo. Essa forma de disposição das carteiras, de onde a criança vê somente a nuca da outra sentada à frente, uma vez que não é permitido ficar olhando para os lados ou para trás, inibindo assim a interação entre as crianças, visto que impossibilita uma troca de olhares ou comentários.
Em frente das carteiras, numa estrutura hierarquizada, está a mesa da professora. Essa distribuição e ocupação do espaço são consideradas ideais pois faz com que as crianças quase não converssem, atrapalhando os outros. Permitia a todos verem o quadro negro e a professora, como também a ela visualizar todas as crianças. Nessa estrutura hierárquica, a professora representa a autoridade máxima da sala de aula.
A posição de permanência das crianças nas carteiras é "sentada", independente se o móvel é adequado para a criança ou para a permanência em tal posição por um período prolongado. Aqui se percebe que as crianças é que deviam se adaptar as carteiras, independente de seu biótipo, estatura, tamanho e proporção dos braços e pernas, composição corporal, dominância lateral.  
A permanência prolongada da posição sentada num móvel inadequado às suas características físico-corporais é um incômodo para as crianças. Contudo este incômodo não é percebido pela escola. E o pior... a criança é obrigada a ficar sentada, com o corpo voltado para o mesmo lado, o ano todo.


A FILA COMO FETICHE DA PROFESSORA.
EM BUSCA DA FILA PERFEITA.

A distribuição dos corpos em fila não se restringe a posição das carteiras na sala de aula. O princípio da fila é utilizado para realizar as entradas das crianças na sala para o início da aula; após o recreio para seu reinício; e para outros momentos eventuais em que tinham que sair da sala, em grupos ou todos ao mesmo tempo. Ao término da aula e saída para o recreio, momentos os quais diminuía o controle sobre as mesmas, não se utilizava a fila, exceto quando esses momentos causam muita ansiedade e euforia nas crianças, e parecia ser necessário então, controlá-las.
Para realização das filas existem os lugares determinados. Antes do início de cada período de aula, é feita em espaço físico específico no pátio da escola, onde se encontrava um lugar definido para cada série e turma. As filas são feitas com a separação dos sexos e em ordem crescente de estatura. Assim, a ocupação do espaço individual na fila também é definida. As crianças seguem enfileiradas do pátio até a sala. Tal separação demonstrava o caráter de discriminação de gênero estabelecido no ambiente escolar entre meninos e meninas. Essas formas de distribuição das crianças no espaço possibilitam uma melhor vigilância da professora sobre as mesmas. Vigilância que se estendia até uma sobre as outras, e onde a delação era a forma de denunciar à professora o que tivera escapado do "seu olhar".

COM O SILÊNCIO, EU SILENCIO!!!

Na sala de aula o culto ao silêncio é desenvolvido com êxito. Esse silenciar envolvia desde o movimento corporal até a própria expressão oral. Isso parece contradizer o que mais buscamos que é o desenvolvimento da linguagem escrita e oral. O ficar quieto vem significar não somente a compreensão social da necessidade de organização dentro da sala, mas também a submissão, a domesticação, a passividade, o condicionamento do comportamento. O rompimento desse silêncio pela criança está condicionado a autorização da professora. Isso se dá quando as crianças têm que responder uma indagação da mesma, quando as necessidades as fazem pedir permissão para irem ao banheiro ou beberem água, ou ainda em raras vezes que, rompendo o ambiente inibidor, solicitam que a professora responda a alguma dúvida.

VIGIAR, PUNIR CONTROLAR

A disciplina vista também na sala de aula como sinônimo de bom comportamento, respeito a normas, quietude, passividade, submissão, atuaria tornando conforme e modelando as crianças de acordo com os padrões institucionalizados, normalizando-as, e assim conservando a ordem e o bom andamento do trabalho escolar.
A criança ao ingressar na escola para o "aprender ler e escrever" enfrenta uma série de situações que levam a uma ruptura no ritmo de suas atividades lúdicas. Ruptura essa que Marcelino (1989) chega a considerar um "furto" do componente lúdico da cultura da criança, cultura que tem que ser respeitada, sobretudo no início do processo de escolarização. Ela que passava uma grande parte do tempo entre o brincar e o jogar, começa passar, agora, várias horas imobilizada, presa a carteira escolar, executando tarefas que não exigem muitos movimentos. O próprio currículo escolar induz a professora a "trabalhar os conteúdos" e desconsiderar o mundo de movimento no qual a criança vive.


SENTADO, CALADO, ESCUTANDO A PROFESSORA.

A criança é vista como um ser passivo frente ao ambiente da sala de aula, que recebe o conhecimento, e sua vida fora da escola não é necessariamente valorizada na relação dela com o saber escolar. Para aprender veicula-se, na sala de aula, a concepção de que a criança somente aprende sentada.
 Somente sentada ela pode observar atentamente, ponderar com atenção, refletir sobre, como se a atenção e a concentração se expressem na ausência de movimento. Institui-se assim, a metodologia do traseiro, onde é preciso a criança estar sentada e, preferencialmente, imóvel para observar atentamente o que a professora ensina. Nessa educação "sentista" existe a posição correta de permanência do corpo, o braço devia ficar assim..., a perna assim..., a cabeça assim... Somava-se a isso, a concepção de que só se aprende se ficar quieto, em silêncio, fazendo as atividades padronizadas elaboradas pela professora.
Expressões como "sentados!" faz parte do repertório freqüentemente utilizado pelas professoras para lembrar as crianças de como deviam ser seus comportamentos para que a aprendizagem ocorresse. Dessa forma pode-se dizer que a aprendizagem de conteúdos é uma aprendizagem sem corpo, não unicamente pelo requisito da criança permanecer sem movimentar-se ou fazer apenas os movimentos exigidos para o ler e o escrever, como pelas particularidades dos conteúdos e dos métodos de ensino requererem um corpo imóvel.




MATRICULAMOS SOMENTE A MENTE DA CRIANÇA...
SEU CORPO É DEIXADO DE FORA DA ESCOLA.
Na preocupação e supervalorização das atividades intelectuais, em detrimento das atividades físicas, recreativas, artísticas, a escola oferecia aulas chamadas de "reforço", destinadas às crianças de aprendizagem "fraca". Desta forma tem-se aula para reforçar o "intelecto", mas para o corpo, o afeto, o desejo, e o movimento? Bom, isso parece não receber a mesma atenção, pois como considera com propriedade Freire (1993), na escola só se matricula a cabeça, o intelecto, o que era percebido na sala de aula.
Embora sabendo que a professora que inova corre risco de acabar sendo engolida pelo sistema e discurso tradicional, será que os profissionais da educação que trabalham somente com o "desenvolvimento da inteligência" da criança percebem que poderiam favorecer o desenvolvimento dela toda?
CONTROLE DO CORPO...  CONTROLE DA MENTE.
A lógica do sistema escolar, como diz Freire (1992), parece uma loucura! Crianças não podem raciocinar se movendo, não podem pensar fantasiando, não podem refletir jogando. Para se tornarem inteligentes e produtivas têm de ser confinadas, controladas, para então, serem nutridas com o conhecimento escolar. O corpo tem de se ajustar aos métodos de controle, senão as idéias não podem ser controladas.
Quando me refiro ao corpo, refiro-me também ao pensamento, ao sentimento, ao desejo, pois desejo e corpo são inseparáveis, como tudo no homem é inseparável. Na sala de aula o desejo é mandado embora, o sentimento é reprimido e o corpo disciplinado
No controlar a criança, a disciplina além de organização do trabalho e obediência ao professor, era também forma de controle, do silenciar e do dominar os movimentos, de neutralizar a presença do corpo, de separar os sexos, de civilizar as emoções, de obedecer ao comando, de renunciar ao prazer, de aceitar privações. Parece então que o aluno comportado é aquele que não se mexe.
O RECREIO
Embora limitados dentro do contexto escolar os espaços para demais manifestações das crianças acabam por existir, como o recreio. Nesse momento tão valioso e ansiosamente aguardado pelas crianças, estas parecem tornar-se donas absolutas de seu tempo, seus corpos parecem estar livres e o espaço irrestrito, ainda que sob vigilância. No recreio manifesta-se o brincar, correr, pular, conversar, conviver e relacionar-se com as demais, explorar os espaços sozinha ou com outras crianças... e isto sem necessariamente serem da mesma idade, gênero, série ou turma.
O recreio constituI-se num dos momentos de elevada importância para manifestação das crianças na escola, pois significava também a liberação do enclausuramento da sala de aula.
O controle sob o qual está submetida a criança na escola não se dá sem resistência. Os próprios pedidos para ir ao banheiro ou para beber água podem significar também uma manifestação de resistência a imobilidade e ao silêncio da sala de aula. As crianças, ao se levantarem das carteiras para conversar com as outras ou simplesmente para andarem, quando a professora se ausenta da sala, também demonstra que não o imobilismo não é aceito incondicionalmente.
É POR ISSO QUE PROPOMOS UMA EDUCAÇÃO DE CORPO INTEIRO
Na sala de aula a transmissão do conhecimento é feita como se não houvesse uma existência corpórea e apenas um ser pensante, como se a criança com suas necessidades corporais não existisse, admitindo-se primordialmente o corpo imóvel, e assim, como se a própria criança não existisse, visto que sem o seu corpo a criança não é criança. Pouco se faz para que ele pudesse se manifestar, o que demonstra uma visão não somente limitada, como também fragmentada e às vezes distorcida da criança, tratando a mesma como se o corpo fosse separado da mente, e vice-versa, como se  corpo tem que ser silenciado.
O espaço livre desapareceu em função do espaço especializado, o momento livre dividiu o tempo com o momento especializado. E com isto instituiu-se a idéia de que na sala de aula não há espaço para a criança com seu corpo móvel, e sim para a apropriação do saber sistematizado e historicamente acumulado pela humanidade por meio do trabalho intelectual.
Entretanto, não é somente esse saber que se transmite na sala de aula, transmitem-se também os modos de ser e estar, os valores e padrões de comportamentos que vão compor a ordem estabelecida. Na sala também se enclausura, se vigia, se fragmenta, se reprime, se silencia, se imobiliza.
A ideologia da interdição do corpo está presente ainda hoje. Nas escolas as crianças são proibidas de se movimentarem em determinados espaços. O próprio ficar sentado por muitas horas vem a ser uma forma de castigo corporal.
Não se trata de negar que na escola seja importante "aprender", que haja organização, espaços, horários, comportamentos, atenção, carteiras..., mas de entender que quando a criança ingressa na escola, ela continua sendo criança, e isso implica também em rir, conversar, correr, pular, movimentar-se...
É necessário abandonar o paradigma em que a criança não tem corpo. É emergente se formarem professores que trabalhem com crianças que tenham corpos. Crianças não imobilizadas também aprendem.

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